domingo, 8 de novembro de 2009

Pilantraris Picaretossaunos




Falaremos nessa coluna sobre o Pilantraris Picaretossaunos, claro que esse é um nome cientifico, mas este ser, é muito mais conhecido nos dias atuais pelo seu nome popular, o vulgo Picareta.

A preparação de automóveis é, cada vez mais, um hobby autodidata.

Com a facilidade de informação de hoje em dia, qualquer pessoa inteligente e esforçada é capaz de fazer a grande maioria dos serviços em seu carro, deixando a cargo de profissionais apenas oque é mais díficil, ou algo que exige algum equipamento especifico.

Alguém vai perguntar;

Tá seu idiota, e tu acha que os mecânicos profissionais ficarão sem clientes?

Eu respondo; Nada disso, os realmente profissionais e competentes terão clientes sempre, mas os picaretas,

bom,

esses que se cuidem.


O bom profissional usa seus conhecimentos e experiências para prestar um serviço melhor. Já o picareta usa suas experiências para saber que tipo de gambiarra ele pode utilizar em cada caso, para trabalhar menos e ganhar mais, mesmo que para isso o resultado seja bem meia boca.

O picareta sabe melhor do que ninguém como levar o cliente no papo por um bom tempo, e para isso ele desenvolveu um grande número de expressões:

Vou citar alguns exemplos:

Frase 1; Hum, esse teu carro não dá pra turbinar.
Tradução; Isso vai me dar muita dor de cabeça, não tenho nem ferramenta pra desmontar essa merda, e ainda por cima não vou ganhar quase nada.

Frase 2; Essa peça que tu tem não é boa, eu fico com ela na troca e te consigo uma bem melhor.
Tradução; Vou pegar esse filé pra mim, e vou enfiar aquele caco no rabo desse otário.

Frase 3; Até o fim de semana tá na mão.
Tradução; Vou começar a desmontar o teu carro lá por sexta feira, pra ver se tu me adianta algum dinheiro pra eu passar o fim de semana.

Frase 4; Põe no guincho e manda pra cá, que agora eu já sei o que aconteceu.
Tradução; Eu sabia que aquela gambiarra não ia dar certo.

Frase 5; É esse álcool que tu está usando que deixa o carro assim, anda até gastar.
Tradução; PQP, eu sabia que esse lixo de carburador que eu atolei nele ia me dar problema, amanhã esse mala vai estar aqui me alugando.

Frase 6; Claro que quebrou a caixa, o carro tá muito forte.
Tradução: Tenho quase certeza que aquele óleo velho lá da oficina era pra cambio, ou seria o óleo queimado que eu ia jogar fora, agora fiquei na dúvida.

Frase 7; Leva na boa pra amaciar.
Tradução: Tomara que não voe os cacos desse motor até eu ter dinheiro pra comprar os forjados que eu disse que eu já tinha colocado, juro que não faço mais churrasco com dinheiro de cliente.

Frase 8; Vou te entregar o carro hoje de qualquer jeito.
Tradução: Vou entregar meia boca mesmo, daí, pelo menos eu pego o resto da grana.

Frase 9; Não tá fumando não, vou te explicar, isso é porque ta com a mistura gorda enquanto amacia.
Tradução: Fui dizer que a turbina era nova, agora tá fumando está merda.

Frase 10; Não, não compra nada, dá esse dinheiro pra mim que eu consigo o que tu precisa.
Tradução: Esses "quinhentão" que eu tava precisando chegaram em boa hora, na tua "bixeira" eu coloco aquele kit usado, que tirei do outro carro.

E a melhor, na minha opinião:
Frase 11; No início é assim mesmo, mas com o tempo as marchas começam a entrar melhor.
Tradução: P Q P, porque eu não aproveitei que o cambio tava fora e troquei a embreagem.


Pois é, todo mundo já ouviu alguma dessas pérolas, enquanto tiver quem acredite ele vai sobrevivendo, portanto, informe-se, estude, converse, pergunte, porque só assim o Pilantraris Picaretossaunos será extinto.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Imorrível




Cada vez mais, me surpreendo com a força da arrancada, por mais que as pessoas responsáveis por ela "tentem" destrui-la, não conseguem, e olha que não é por falta de esforço, se a arrancada está indo pro fundo do poço, é porque está sendo arrastada por quem deveria ergue-la.

Para um evento de arrancada ocorrer, existem alguns fatores que precisam ser levados em conta, é preciso ter data, local, participantes e público.

Datas;
Desde que me conheço por gente todo o mês tem no mínimo 8 dias perfeitos para a realização de provas de arrancada, 4 sábados e 4 domingos, não sei se antigamente era assim também, talvez o pessoal não tenha se ligado ainda no tal do calendário, novidades demoram um pouco pra pegar.

Locais;
O RS tem algumas pistas; umas ruins, umas boas, umas meia boca, e umas excelentes ou seja, pistas para todos os gostos, inclusive ai pelo interior tem umas que são ideais para quem gosta de viver fortes emoções.

Tarumã
Santa Cruz
Guaporé
Frederico Westfhalen
Complexo Cultural de Porto Alegre
Velopark
Entre outras menos conhecidas.

Participantes;
O número de carros e pessoas dispostas a participar é imenso, quase incontável, desde que não sejam afugentados por regulamentos "repelentes", pela burocracia e ou pela ganância de quem deveria trabalhar para o esporte ser mais forte.


Público;
Se o evento for bom, o público comparece, e se tratando de arrancada, evento bom é aquele evento onde vários carros se enfrentam, onde os pegas não param, onde há rivalidade, só isso.

Parece simples? Só parece, por que o ser humano consegue complicar tudo.

Sinceramente não vejo dificuldades para termos provas todos os finais de semana, a única razão aceita para a não realização é a ocorrência de chuva, o resto é incompetência mesmo, São 8 datas possíveis todo mês, eu disse O I T O.

Mas não é só isso, no mundo da arrancada acontecem muitas coisas bizarras, como por exemplo, não poder fazer uma prova na grande Porto Alegre porque terá prova em Guaporé ou vice-versa, fazendo uma analogia com o bom e velho futebol, imagine que quarta-feira o Ypiranga não vai poder jogar em Erechim porque tem jogo do Esportivo em Bento Gonçalves. Pois é, prova de arrancada é como as olimpiadas, tem que parar todo o mundo do esporte para ela poder ocorrer.

Isso também me remete a uma cena de futebol de fim de semana, onde o zagueiro gordinho procura marcar o atacante barrigudo para que nenhum dos dois precise correr muito.
Por favor, concorrência é saudável, quem fizer o melhor evento vence.
A coisa está tão feia que concorrentes estão fazendo acordos de cavalheiros por que um tem medo do outro. No meu ramo nunca ninguém teve "peninha" de mim, sempre tem alguém querendo me "patrolar", e eu procuro devolver na mesma moeda.

E os participantes? Os participantes somem das provas porque tem medo da burocracia, isso mesmo burocracia, muitas vezes novatos até tentam, mas não conseguem se iniciar no esporte.

Mas porque não conseguem?

Bom, vou novamente usar as analogias futebolisticas,
Imagine que sua turma de amigos resolve alugar uma quadra de futebol 7 para bater uma bolinha despretenciosa;

Afinal a maioria não joga nada e tem só um ou dois que são bons de verdade, vocês querem se divertir, só isso.

Vocês entram no ginásio pela primeira vez na vida e são informados que precisam passar no guiche da CBF para se inscreverem como jogadores profissionais e a taxa custa muuuuito mais do que deveria, lembrando que vocês NUNCA jogaram.

Mas, como vocês estão muito afim de jogar e tem condições financeiras, vocês pagam a taxa e viram profissionais como num passe de mágica.

Então tá resolvido? Vamos jogar?

Não, nada resolvido, agora vem a parte da vistoria do equipamento, para ver se as bolas que vocês vão usar são homologadas pela FIFA, se as caneleiras estão no prazo de validade, se a chuteira é nacional ou importada, bom depois de tudo isso você e seus 13 amigos acham que estão liberados para jogar,

Que nada;

O vestiário é só para os peladeiros profissionais, que na maioria das vezes jogam muito pior que vocês, mas já compraram a carteira a mais tempo. Vocês vão ter que se trocar na quadra mesmo.

Pronto agora os 14 "atletas" devidamente fardados estão prontos para jogar, Certo?

Errado, agora os 14 jogadores vão ser divididos em categorias, em vez de termos um jogo legal com 14 participantes, teremos 5 jogos patéticos divididos da seguinte forma:

Teremos um jogo entre 2 barrigudos, categoria H.A.A.D.P (homem adulto acima do peso)

Outro entre 4 solteiros, categoria H.A.S.E (homem adulto sem esposa)

Mais um com os 3 que tem mais de 50 anos, categoria H.A.C.I.A (homem adulto com idade avançada)

Outra com os 2 que estão bebados, categoria H.C.F.D.O (homem completamente fora de orbita)

E por último um jogo entre os 3 adolescentes da turma, porque afinal de contas não é justo eles jogarem com os outros, por que eles correm muito. categoria G.L.C.T.G (guri louco com todo gas)

Você acha que se pra jogar na quadra de futebol sete fosse tão complicado, alguém ia deixar de jogar na pracinha?

Com certeza as quadras estariam as moscas.

Jogo de amadores não pode ser tratado como jogo de Copa do Mundo.
Assim como a arrancada amdora não precisa de burocracia, precisa é ser simples e atrativa.

PS: Ia me esquecendo do público;

E o público?

Bom, o público achou um saco e foi embora pra não voltar tão cedo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O monstro!


[introdução por 1320ft.blogspot.com]

Galera, aqui vai mais um dos textos do blog http://www.corujadobox.blogspot.com/. Ele fala um pouco sobre o grande potencial da arrancada amadora e de seu despertar em todo o país. Tomei apenas a liberdade de trocar o monstrinho simpático do Coruja pelo famoso ícone-monstro dos anos 60, Rat Fink.

Rat Fink é a criação mais conhecida do artista e engenheiro mecânico Ed “Big Daddy” Roth. Figura chave na "Kustom Kulture" que transformou a Califórnia na meca dos hot-rods e outros veículos motorizados durante os anos 60, Roth ficou famoso tanto como designer de veículos personalizados quanto como criador de monstros ao mesmo tempo grotescos e simpáticos.

A Kustom Kulture nasceu na Califórnia no final dos anos 50 e sua influência passa por toda a cultura pop: dos carrões envenenados do hip-hop às canções adolescentes dos Beach Boys, a Kustom Kulture ajudou a construir o imaginário jovem contemporâneo.

Ícone da contracultura, Rat Fink é um símbolo eterno da livre expressão, uma válvula através da qual crianças e eternos adolescentes podem extravasar sua insatisfação com a caretice vigente.

Carros envenenados e monstros irados na contramão da caretice. Tudo isso tem muito a ver com o pessoal dos carros de rua se libertando das regras retrógradas das competições atuais e resgatando o espírito, a combatividade e a verdadeira essência das primeiras arrancadas, que nada mais eram do que rachas na ruas, estradas, aeroportos e desertos. O que esse pessoal está mostrando, é que não é necessário ser retrógrado, careta e inviável para participar de uma competição de arrancadas dentro de uma dragway.

Nos dias de hoje o cenário mudou, mas o espírito continua o mesmo!



Então fiquem com O MONSTRO:

Já cantava Herbert Viana:

"O espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar".

Que monstro é esse?

No nosso caso, esse é um monstro "do bem", é gigantesco, mas é do bem.

O nome desse monstro é ARRANCADA AMADORA.

No RS temos o VeloparkOpen, em São Paulo temos o Racha Interlagos, agora tivemos um evento com moldes similares em Curitiba, sem esquecer do velho Racha Tarumã que lota em todas as vezes que ocorre, temos também o Treinão na Bahia, fora os outros espalhados pelo Brasil.

Ai eu pergunto;

Qual a similaridade desses eventos?

1° Todos eles tem simplicidade de regulamentos, uns mais, outros menos, mas todos são mais simples que as provas federadas.

2° Todos tem bom número de participantes.

3° Todos tem grande variedade de carros.

4° Todos tem entre seus participantes, praticamente 100% de amadores.

5° Todos tem bom público.

6° Todos tem pouca divulgação, e mesmo assim ocorrem com sucesso.

A arrancada amadora é um MONSTRO GIGANTESCO adormecido, que começa a se levantar.
Algumas pessoas se surpreendem com sua força, EU NÃO. Eu me surpreendo em ver quanto tempo ela ficou hibernando...a sua força eu já conhecia.

O pessoal quer correr, só precisa de uma chance, ter evento próprio para isso é um ótimo começo.

Aqui no RS, a arrancada profissional está agonizando, ela não atrai novos participantes, não atrai público, não dá lucro, resumindo, não tem a menor força.

Seu emaranhado de regulamentos é uma grande cilada, tem regulamentos demais, tem categorias para enquadrar a todos e ao mesmo tempo não enquadra ninguém.

Ninguém mais aguenta aquelas provas sonolentas, onde carros arrancam sozinhos, onde se ganha sem disputar com ninguém.

Provas que só são entendidas por pilotos e mecânicos.

Provas com 30 carros inscritos, chega a ser uma vergonha.


Fazer mata-mata é uma tentativa de dar um pouco de emoção a essas provas, mas esbarra na mediocridade.
Como se faz, para fazer mata-mata numa categoria com dois ou três inscritos???
Sem contar que a maioria deles quebra nas primeiras puxadas, quando não quebra alinhando.

E a prova amadora, bom, a prova amadora só precisa de uma pista, um pinheirinho e um cronometro...

Pra que complicar???

Arrancada é carro contra carro, só isso.

Arrancada sem confronto é futebol sem gol.

Como se diz por ai:

SOU AMADOR COM MUITO ORGULHO...

Leia também mais sobre: Rat Fink, Kustom Kulture e Big Daddy Roth.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Mixunga




Você sabe oque é um Mixunga?


Quem trabalha no comércio sabe.

Mixunga é aquele sujeito mala que entra na loja, mas não quer comprar nada, ou porque não tem dinheiro, ou por que não quer, ou simplesmente porque ele é um chato que não tem mais oque fazer e tem como hobby torrar o saco dos vendedores.

O Mixunga também é conhecido por outros nomes, mas mixunga é mais simpático.

Ele pode entrar na sua empresa apenas para dar uma "olhadinha" e acabar "te alugando" a tarde inteira.
Ele pergunta tudo, sobre tudo, e nada serve pra ele,

Se você tem preto, ele queria branco,

Se é grande, ele queria pequeno,

Se o preço é bom, ele queria prazo,

Se tem prazo, ele acha caro...

Mas na realidade isso é puro papo furado, porque mixunga legitimo, não compra nada, NUNCA!!!


O Mixunga é um tipinho engraçado, na realidade ele não quer comprar nada, mas ao invés de assumir isso, ele fica colocando empecilhos para TER DESCULPA PARA DIZER NÃO.



Resumindo, nada nunca é bom o suficiente para ele, na realidade ele faz questão de achar defeito em tudo, por que assim ele tem um alibi psicológico, para não se sentir um bosta.


No fundo no fundo, ele faz um esforço para pensar o seguinte;
"Eu não sou um bosta, é que lá não tinha nada que eu queria".

Bom esse é o Mixunga que assola os comerciantes.


Mas existe uma outra classe de Mixunga que nos interessa mais, que é o Mixunga da Arrancada.
Você conhece???

Ele tem hábitos bem peculiares, descrevendo alguns, você lembrará de alguns exemplares que você já viu mixungando por ai.


*O Mixunga da Arrancada não corria 201 metros por que dizia que era pouco, ele só correria quando existissem pistas de 402 metros.


*Ele não corria no sambódromo porque tinha pouco GRIP.



*E correr em Tarumã? - Bem capaz, a pista é muito ruim.


*E em Santa Cruz então? - A náááá, muito longe.


*O Velopark é perfeito, certo? - Vocês tão loucos? A pista tem GRIP demais.


*Bom agora tem pista de 402 metros... - Xiiii, não dá pra andar, o carro quebra.


*Correr nas provas do interior? - Não dá, não tem segurança.


*Então coloca equipamento e corre no Velopark... - Beeeem capaz, lá é muita "frescura" por causa da segurança.


Pois é, o Mixunga vê problemas em tudo, mas na realidade o problema é ele.


Tudo se resume ao fato de que ele não quer correr.
Ele só quer é;
MIXUNGAR.
PS: A foto é de um Porquinho da Terra, foi só pra dar um suspense...
O Mixunga é um bichinho bem mais parecido com gente, mas quando abre a boca parece uma ostra, só sai pérola.